PELO DIREITO DE (RE)EXISTIR: AVALIAÇÃO DO PROCESSO VACINAL CONTRA A COVID-19 DOS POVOS INDÍGENAS DO CEARÁ (2020 A 2023)
Autores: Risoneide Oliveira Souza; Victoria Régia Arrais de Paiva.
Resumo
O presente texto trata de um estudo de caso que tem como objetivo avaliar o processo vacinal contra a Covid-19 dos Povos Indígenas do Ceará, no período de 2020 a 2023. Uma premissa importante é que a referida população está submetida a um genocídio continuado, diretamente relacionado ao racismo estrutural vivenciado no Brasil, agravado significativamente durante a pandemia e o governo Bolsonaro (2019-2022). Analisando o contexto da época e os dados epidemiológicos, emergem as seguintes perguntas: quais as dificuldades encontradas pelos indígenas durante o cumprimento da vacinação priorizada no período da pandemia de Covid- 19? Qual a logística de distribuição e aplicação, bem como de aceitação ou negação das vacinas? Em que medida tal processo contribuiu para a organização política das comunidades indígenas no sentido de cobrar a priorização da vacina mediante diálogo com os governos municipal, estadual e federal? Para responder a tais questionamentos, será realizado um levantamento de informações nas bases de dados oficiais, de notícias publicadas na imprensa, bem como por meio da sistematização de dados primários, visando constituir uma reflexão sobre as experiências vividas por cada povo, relacionando-as por meio da análise de conteúdo e da triangulação de dados. Para tanto, será priorizada a abordagem qualitativa, configurando
um estudo de caso e, como técnicas de coleta de dados, a aplicação de entrevistas semiestruturadas com os destinatários da política, representantes dos Povos Indígenas, e com servidores públicos envolvidos no processo da implementação da referida política. No tocante ao referencial avaliativo, a avaliação em profundidade, conforme Rodrigues (2008) parece ser o mais adequado, pela capacidade de ampliar o olhar sobre o objeto da pesquisa e considerando os diversos atores e instituições envolvidas.
