A INSTITUCIONALIZAÇÃO DOS ESTIGMAS DO ENCARCERAMENTO: A SUBJUGAÇÃO DO INSTITUTO DA POLÍTICA DE PROTEÇÃO SOCIAL BRASILEIRA AUXÍLIO RECLUSÃO À RACIONALIDADE NEOLIBERAL DO MERCADO
Autores: Sandro Ribeiro Araujo da Silva; Marcia Regina Carvalho Sousa
Resumo
Na atual conjuntura de Mundialização Capitalista, no Brasil percebe-se, sobretudo a partir da década de 90, um processo de reestruturação produtiva, onde o segmento social representado pelos encarcerados aparece como uma massa amorfa desprovida de interesses nesse processo. A partir disso, vê-se que o desmonte da financeirização da proteção social desse segmento foi engendrada de forma a ter o aval da sociedade civil, atuando para esse ínterim, os “aparelhos de subjetivação”, construindo a neutralização do pensar reflexivo, mergulhando-a nas imagens criadas pelo neoliberalismo de naturalização das opressões. O Estado passar a ser protagonista dessa política de desumanização daqueles considerados estigmatizados pelos olhares culturalmente formados pelo neoliberalismo, atuando na corroboração, de forma institucional, com legitimação e aval social, a este desmonte. Como consequência desse contexto, se construiu a representação que paira no imaginário social e capilariza-se para os órgãos oficiais do Estado brasileiro, do instituto previdenciário Auxílio Reclusão como “bolsa bandido” e que passa a alicerçar projetos de políticas públicas sectaristas que corroboram essa representação social, formando um sistema de retroalimentação onde o atual Estado é ao mesmo tempo receptor e disseminador de um senso comum que produz indivíduos apartados de proteção, dentro do atual Estado social brasileiro.
